Revista Lotus – Introdução ao Zen

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BUDISTA DO BRASIL
Estrada Dom Joaquim Mamede 45, Lagoinha, Sta. Tereza
Rio de Janeiro

ANO I 1975 Nº 1

Editor Responsável: GEORGES DA SILVA
Redatora Chefe: RITA HOMENKO
Colaboradores: Marco Antonio Arantes
Carlos Kassab
Clarisse de Oliveira
Rogel de Souza Samuel

Editorial
Resumo histórico da SBB
As origens e o surgimento do Budismo
Os fundamentos do Budismo
Introdução ao Zen
A difusão do Dharma no Tibet
Meditação
Costumes e regras monásticas na Tailândia e Sri Lanka

Informativo
Capas

O Estudo Do Zen – Sra.Rita Homenko

ZEN NÃO É SEITA DO BUDISMO

O Zen se originou do encontro do Budismo especulativo Mahayana hindu com o Taoismo prático e com o Confucionismo, relacionado com a cultura chinesa da dinástia T’ang. Passando para o Japão, onde se integrou, foram introduzidas várias regras e disciplinas, tais como: sala de meditação – Zendo, meditação sentada – Zazen, frase ou historieta enigmática para meditação – Koan, o bastão – Keisaku, as vestes – Kesa, as almofadas para sentar na posição de lotus – Zofu, as entrevistas com monge superior – Roshi, etc.
Apesar destas disciplinas, algumas típicas do país, o que se denomi na Zen nada mais é do que a versão chinesa e japonesa do Budismo e não pode ser posto em separado deste, em si, na sua essência.

As dissenções são muito prejudiciais, pois, segundo o Itivutaka, o próprio Sidarta Gotama afirmava o seguinte:
“Há uma coisa no mundo, ó monges, que, uma vez surgida, trará desvantagens e infelicidades para muitas pessoas, tanto deuses como homens.
– E qual é essa coisa? – perguntaram os monges.
– É a dissenção na Ordem! – respondeu o Buda. Numa Ordem dividida, surgem disputas e abusos recíprocos, deserções e diversidade de opiniões
.”

Um dos grandes mestres do Zen, Doguen (fundador do Zen Soto), disse categoricamente: “QUEM CONSIDERASSE O ZEN COMO ESCOLA OU SEITA DISTINTA DO BUDISMO E O DENOMINASSE “ESCOLA ZEN” (Zen-shu), SERIA UM DEMONIO DENTRO DO BUDISMO”, e deu a seguinte explicação tirada de uma das suas obras “Shobo Genzo”:

Esse problema surgiu porque o Grande e Importantíssimo Dharma (Doutrina) do Tathagata, o Tesouro do Olho da Verdadeira Lei, é chamado de “Seita Zen”. Aprendam bem: essa denominação apareceu só da China para o Oriente, não á conhecida na Índia. No princípio, Bodhidharma passou nove anos meditando sentado diante de uma parede, no Templo Shorinji. Os leigos, que nada sabiam a respeito da Verdadeira Lei Búdica, passaram a considerá-lo como “um brâmane que se dedica ao Zazen”. Depois, em várias gerações de mestres, também se aplicaram constantemente ao Zazen. Os leigos ignorantes, que não conheciam a Verdade, começaram a falar irrefletidamente em “Seita do Zazen”. Atualmente, eliminaram a silaba Za e ficou apenas “Seita Zen”. Tal coisa é claramente relatada nos registros dos Mestres…
… DEVES SABER AGORA, QUE O ZEN É O CAMINHO INTEIRO DA LEI DE BUDA.” (1)

(1) Tradução de Ryokan Gonçalves, Textos budistas — Editora Cultrix.

Partindo desse princípio Thomas Merton no livro Zen e as aves de rapina conclui:
Considerar o Zen meramente e exclusivamente Zen budismo é falsificá-lo e, sem dúvida, revelar que não se tem dele a menor compreensão. Contudo, isto não significa que não possa haver “zen-budistas”, quando admitem, que para eles o “seu Zen” é de fato a mais pura e profunda expressão do Budismo. A razão disso é que o próprio Budismo está dirigido para além de qualquer “ismo” teológico ou filosófico. O verdadeiro impulso do Budismo está dirigido para um Despertar (Iluminação) que é precisamente um desabrochar naquilo que está além dos sistemas, ultrapassando as estruturas culturais, sociais e religiosas, a pesar de comportar tais estruturas e diferenciações nas suas formas, tais como: o budismo Tibetano, budismo Birmanês, budismo Japonês, etc.

Quanto mais o Zen for considerado budista, tanto mais fácil pode ser entendido e aberto a investigação científica, apesar de comportar determinados aspectos externos do monasticismo, que além de ter disciplinas próprias, também comporta qualidades características influenciadas pela arte chinesa e japonesa, que apenas auxiliam na compreensão da doutrina. Assim pinturas, poemas, citações profundas dos artistas ligados ao Zen consiste na possibilidade de sugerir aquilo que não pode ser dito e através da utilização de uma forma simples, reduzida e objetiva, nos alerte para a abstração de forma. Como disse Shen Hui: “A verdadeira visão ocorre quando não há visão”, ou ainda uma sentença: “MELHOR VER A FACE DO QUE OUVIR O NOME”.

A arte em geral nos diz apenas o suficiente para nos chamar a atenção ao que é sutil e “não se vê”, mas que, ao mesmo tempo, esta presente.

Da mesma forma pode-se argumentar, se alguém exclama ao ver uma obra de arte chinesa ou japonesa: “Isto é Zen”, também a mesma exclamação pode ser feita ao ver uma obra de arte ou qualquer trabalho bem executado por um ocidental, pois qualquer indivíduo que inconscientemente ou conscientemente cultivou e aplicou em sua obra ou no seu trabalho a Plena Atenção ou Correta Concentração, em vez de ser identificado: “Isto é Zen”, poderia da mesma forma dizer: “Isto é produto da Correta Concentração budista”.

O erudito cristão, mestre Eckhart diz:

É preciso quebrar a casca se quisermos extrair o conteúdo. Pois se você quer o cerne, é preciso romper o invólucro. Assim, se você quer descobrir a nudez da natureza, é necessario destruir seus símbolos e quanto mais você penetrar “dentro”, tanto mais próximo estará da essência: QUANDO CHEGAR AO UNO, QUE REUNE E CONCENTRA EM SI TODAS AS COISAS, AÍ VOCÊ DEVE PERMANECER.

O verdadeiro modo de estudar o Zen é penetrar pela “casca” exterior, que seriam as denominações das numerosas escolas, tais como, Soto, Rinzai, Shingon, Tendai etc., e “provar” e ver o cerne interior, que é Budismo em sí, baseado no corpo da Lei dos ensinamentos de Gotama Buda. A consciência do Zen budismo é comparável a um espelho.

O espelho é totalmente despersonalizado e desprovido de razão. Se surge diante dele uma flor, ele a reflete: se é um passaro, ele também o reflete. O belo diante dele é belo, o feio aparece como feio. Tudo ele revela como de fato o é. Não possui poder de discriminação, nem consciência própria. Se alguma coisa se aproxima, ele a reflete: quando se afasta, ele se limita a deixar que o objeto se afaste… sem que fique um só vestígio. Essa total indiferença, essa ausência mental ou a livre existência do espelho, pode ser aqui comparada à pura e lúcida sabedoria de Buda (ou natureza búdica).

O texto acima significa que a consciência do Zen não distingue nem caracteriza em categorias o que vê, em termos de padrões sociais e culturais. Não determina seu julgamento como sendo final. Não construi seu julgamento, fazendo-o semelhante a uma estrutura a ser defendida contra todos os que se aproximam. O problema é que, enquanto se tem hábito de distinguir, julgar, e classificar — está-se sobrepujando algo à pureza do espelho — explica Herton.

Um espelho não se recusa a refletir nenhum objeto. Em outras palavtas, na superfície do espelho não há seleção, pois tudo é igualmente aceito.

O Reverendo Eshin Nishimura acrescenta:

“A mesma igualdade de aceitação e encontrada na atitude da criança para com um objeto. Para ela, não existe julgamento de valor, definição ou conceito, já que tudo isso se baseia na orientação dualista do homem e sua interpretação intelectual. Na mente de uma criança não existe nenhuma distinção entre ela e outra pessoa. Homens e o mundo são apenas um. Entretanto, a partir do momento em que aprende a contar dois, (segundo um famoso matemático japonês, Kioshi Oka), aparece um dualismo na consciência da criança. A medida que vai crescendo, cria uma autoconsciência que o separa de todas as outras coisas, dividindo gradualmente o mundo em bom e mau, belo e feio, grande e pequeno, jovem e velho, e assim por diante. Tais juizes dualistas são formados exclusivamente pelo seu ponto de vista egocentrico, e não por uma visão universal.” (2)

(2) Donald Sweares, Os Segredos do Lotus, p. 145.

Como acontece na superficie de um espelho, somente o próprio objeto é refletido, e não o conceito ou definição, assim também na natureza búdica só a própria coisa no mundo fenomenal pode ser compreendida.

Sob forma de perguntas e respostas (expostas no Cap. I do Shobo Genzo), mestre Doguen dá o seguinte ensinamento:

Pergunta: Existem seitas atualmente no Japão, dizendo que a nossa mente é a Mente Búdica e que a possível alcançar instantneamente a Iluminação?
Resposta: Aprende: o praticante da Lei de Buda não compara doutrinas melhores e piores, e não estabelece diferenças entre Dharmas (Ensinamentos) profundos e elementares; deves saber apenas se a prática é verdadeira ou falsa. Muitos entraram naturalmente no Caminho de Buda atraídos pelas árvores, montanhas e águas (amor a Natureza); outros alcançaram a Iluminação segurando paus, pedras e areia (trabalhando). As grandes letras em que está escrita a Verdade estão gravadas em todas as coisas e sua riqueza chega a ser excessiva. O Grande Sermão de Buda acha-se fielmente contido no objeto mais insignificante. DIZER QUE A NOSSA MENTE É A MENTE BÚDICA, É UMA COISA SEMELHANTE À IMAGEM DA LUA REFLETIDA NA ÁGUA; ENSINAR QUE A ILUMINAÇÃO É INSTANTÂNEA, É TAMBÉM UMA COISA IDÊNTICA A UMA IMAGEM QUE SE REFLETE NUM ESPELHO.
Não te deixes levar pela magia das palavras… (3)

(3) Tradução de Ryokan Gonçalves, Textos budistas — Editora Cultrix.

Certa vez perguntei ao Abade de um dos templos na China:

“Um mestre que transmite o Selo da Ilumineçao da Lei de Buda, qual é o ponto mais importante dessa Lei?”

Ele me ensinou, que é o fato de treinamento da meditação e Iluminação não serem coisas distintas. Por tudo isso, recomendo a prática da meditação sob a direção de um mestre a todos sem distinção, quer sejam já discípulos, quer sejam ainda pessoas que só agora manifestaram a vontade de conhecer a Lei e buscam a Verdade, quer sejam novatos, quer veteranos, quer estejam desnorteados no meio da ignorância, quer tenham alcançado a Iluminação.

A REALIDADE APARENTE DE TODOS OS FENÔMENOS

Para maior compreensão do Zen convém remontar as suas fontes originais, que se encontram nos diversos sutras, principalmente Mahayana.

No budismo a mente perceptiva é apenas um órgão dos sentidos, acrescentado aos outros cinco (visão, ouvido, olfato, gosto e tato) que poluem nossa noção da Verdade. O empenho do budismo consiste em eliminar essa mente perceptiva contaminada e condicionada com todo o seu acervo de recordações e sensações e conquistar a Plena Liberdade.

Está bem expresso por Gotama Buda no discurso — Surangama Sutra sobre a mente perceptiva (consciência), quando comparou-a com um lenço de seda com seis nós. As citações resumidas possibilitam uma compreensão mais clara do idealismo budista e por conseguinte da doutrina budista exposta pelo Zen.

OS SEIS NÓS (ÓRGÃOS SENSORIAIS)

Certa vez o Bem-aventurado, munindo-se dum lenço de seda, deu-lhe um nó e mostrou-o a assembléia, dizendo. “Que é isto?”

Responderam em uníssono: É um nó.

O Bem-aventurado deu outro nó no lenço perguntando: “Que é isto!”.

Responderam que era um outro nó.

A seguir Buda continuou a dar nós, até um total de seis, mostrando-os um por um à assembleia, que respondia a cada vez: É um nó

Então, o Buda disse:

“Ananda! Quando vos mostrei o primeiro nó, dissestes que é um nó; quando mostrei o segundo, o terceiro e os outros, insististes em que todos são nós. Os seis nós não podem ser exatamente iguais; mas, procurando a raiz das suas várias formas, acharemos que são variações do mesmo lenço. É possível confundir os nós, a sua ordem e diferenças; não é possível confundir o lenço, porque ele é uma unidade integral. O mesmo se dá, em relação aos teus órgãos sensoriais; eles são os nós dados à unidade essencial da tua mente, e dessa unidade nasce a variedade.”
“Ananda — prosseguiu o Buda — se não quisesses o lenço atado em nós e o preferisses no estado original, que farias? “

Replicou Ananda:

“Nobre Senhor! Enquanto existirem no lenço os nós, podem o ferecer argumentos para um debate: qual é o primeiro, qual é o segundo? Se os eliminarmos, cessa a possibilidade de discussão, porque eles desaparecerão e restara só o belo lenço de seda, no estado original de unidade. “

A resposta agradou ao Buda que disse:

“É exato, Ananda. Ocorre a mesma coisa, na relação entre os teus seis órgãos dos sentidos e a Mente — Essência (Incondicionada). Livrando-se os seis órgãos sensoriais das suas contaminações, também desaparecerão as demais concepções arbitrárias da mente discriminadora. E por se haver tornado enferma e perturbada, em razão das falsas concepções dos sentidos, acumulados desde tempos imemoriais, que a tua mente desenvolveu muitos desejos, apegos, hábitos e concepções. Daí haverem incidências nos processos vitais perpetuamente mutáveis, concepções arbitrárias relativas ao eu e ao não-eu, a verdade e a não-verdade. Elas aparentam ser oriundas da Mente Essência (Incondicionada), na realidade, porém, nasceram de condições mórbidas. O mesmo ocorre, em relação a todas as concepções objetivas e partes componentes de universos, montanhas, rios, árvores, criaturas sensiveis, mortes e renascimentos.”

Ananda falou, entao ao Buda:

“Nobre Senhor! Se essas concepções arbitrarias, mutáveis, sempre renovadas de fenômenos são como os nós dados num lenço, como se hão de desatar os nós?”

A seguir o Tathagata pegou o lenço e o espichou de maneira tão cega e irrefletida, que só lhe apertou mais os nós. E perguntou a Ananda se seria possível desatá-los desta maneira.
— “Não, meu Senhor” — respondeu Ananda.
Disse o Buda: — “Então como os soltarias tu, Ananda?”
“Em primeiro lugar, meu Senhor” — respondeu Ananda — “eu examinaria os nós para ver como foram dados: aí seria fácil desatá-los.”

A resposta satisfez o Buda.

“Tens razão, Ananda. Para desmanchar um nó, cumpre compreender como foi dado. A lição que vos dei é a seguinte: As coisas manifestam-se, em virtude de causas e condições, não se refere só aos grosseiros fenômenos terrestres de conformidade e combinação; é o princípio que o Tathagata extraiu do Dharma de Emancipação, aplicável aos mundos terrestre e transcendental.

Portanto, Ananda, podes escolher qualquer dos teus seis sentidos, o que te aprouver; cessando a servidão a esse órgão sensorial, as concepções arbitrárias dos objetos, na mente discriminadora, também se anularão simultaneamente. Adquirida a convicção de que toda concepção sensorial isolada, em qualquer pensamento baseado num sentido são irreais e fantásticos, dissipa-se a confiança que temos nas concepções sensoriais em geral. Eliminadas assim todas as concepções ilusórias dos sentidos, restará apenas a verdadeira Pura Essência da Mente (Vazio).

A concepção de espaço vazio existindo na Natureza da Mente Universal é apenas espuma cuspida pelas ondas dum grande mar. A espuma se dissolve deixa de haver espaço, em conseqüência dissipam-se os universos e os reinos da vida consciente: corpo, alma e eu-personalidade diluem-se em nada.

Permite que te faça outra pergunta, Ananda: este lenço tem seis nós — podereis desatá-los todos ao mesmo tempo? “

Então respondeu Ananda:

“Não, meu Senhor. Os nós foram dados um por um, em determinada ordem. Em conseqüência, para os desatar, devemos seguir a ordem inversa. Embora estejam no mesmo lenço, não foram dados ao mesmo tempo nem podem ser desatados ao mesmo tempo. “

Mais uma vez, a resposta satisfez o Buda, e ele disse:

“O mesmo ocorre, ao desembaraçar o enredo das concepções dos seis sentidos. O desatar dos nós é um processo gradual: convem começar pelos nós dos cinco órgãos senroriais e depois o nó do sexto sentido, a mente perceptiva e discriminadora, por si mesma se desfaz. Deve-se, pois, começar pelo órgão sensorial mais flexível e acomodatício e, por meio dele, será mais fácil entrar na verdadeira correnteza da vida que desemboca na mais alta Sabedoria perfeita — anuttara-samyat-sambodhi. (Talvez neste ponto Buda refere-se ao ouvido, como sentido mais adequado para induzir uma sensação de espiritualidade, como o faz incontestavelmente a música). ”

E Gotama Buda concluiu:

“Embora a Mente Universal — Alaya-vijnana, ou mente “acumuladora” seja imaculada na sua natureza peculiar, ao acolher o germe do pensamento falseado, logo se contamina e torna-se tão difícil de ser dominada como uma correnteza impetuosa. Dado que todas as concepções de fenômenos não são se não formações mentais, esta em verdade não é coisa ilusória, mas torna-se coisa ilusória. Se não estiverdes sujeitos as contaminações da vossa própria mente, não haverá concepções de coisas fantásticas nem de coisas que não são fantásticas…

…Comparadas à Mente-Essência (Incondicionada) todas as coisas condicionadas são vazias como o espaço. Existindo, como existem sob condições, são falsas e fantásticas; as coisas não condicionadas, não tendo aparecimento nem desaparecimento, são ilusórias como florescências vistas no ar. Como somos forçados a usar expressões falsas, para interpretar a essência das coisas, as expressões errôneas e a essência das coisas interpretadas por falsas expressões, formam um par de coisas errôneas. Vê-se claramente que Essência intrinseca não é nem a essência como e interpretada, nem não essência da interpretação. Como se há de afirmar que existe Verdade na coisa como percebida, ou no fenômeno de percepção?”

Surangama Sutra – Dwight Goddard, A Buddhist Bible p. 216-220

A esse ensinamento que é dado o nome “flor de Lotus”. É glorioso e luminoso como diamante — Vajra-raja, tão misteriosamente poderoso como o Samadhi Supremo, é o Preceito Incomparável! Quem o observar seriamente com sinceridade, ultrapassará num relance os discípulos graduados, tão de repente como se bate a porta. E será homenageado por todos os mundos! E é natural. Esse preceito é o único caminho para o Nirvana.

A frase … “num relance… tão de repente como se bate a porta”, tornou-se a fiança das palavras de Gotama Buda para o desenvolvimento de Zen na sua interpretação de uma Iluminação(Satori) momentânea.

(Excerto do livro “Budismo, Caminho da Correta Compreensão”).

OS MILAGRES

Certa vez em que Bankei calmamente pregava a seus seguidores, sua fala foi interrompida por um sacerdote de nome Shin-shu que acreditava em milagres, e pensava que a salvação vinha da repetição de palavras sagradas. Bankei incapaz de continuar sua palestra, perguntou ao sacerdote o que queria ele dizer. Então continuou o sacerdote:

” O fundador da minha religião, continuou o sacerdote, estava na margem de um rio com um pincel na mão. Seu discípulo estava na outra margem segurando uma folha de papel. E o fundador escreveu o santo nome de Amida no papei através do rio pelo ar. Podes fazer algo tão milagroso?

E Bankei respondeu:

“Não, só posso fazer pequenos milagres como: comer, quando estou com fome; beber quando tenho sede e quando insultado, perdoar. “

(Pode ser interpretado: Os milagres não devem ser ocupação de um sábio e ainda menos servir de exibição. Pois o maior “milagre” no budismo é a Vigilância no “já e agora”).

Registro de Publicação do Lotus

Registro no Ministério da Justiça: n° 1.511 pág. 209/73


Agradecemos ao Sr. Rogel Samuel pelo material fornecido.