Revista Lotus – A difusão do Dharma no Tibet

ÓRGÃO OFICIAL DA SOCIEDADE BUDISTA DO BRASIL
Estrada Dom Joaquim Mamede 45, Lagoinha, Sta. Tereza
Rio de Janeiro

ANO I 1975 Nº 1

Editor Responsável: GEORGES DA SILVA
Redatora Chefe: RITA HOMENKO
Colaboradores: Marco Antonio Arantes
Carlos Kassab
Clarisse de Oliveira
Rogel de Souza Samuel

Editorial
Resumo histórico da SBB
As origens e o surgimento do Budismo
Os fundamentos do Budismo
Introdução ao Zen
A difusão do Dharma no Tibet
Meditação
Costumes e regras monásticas na Tailândia e Sri Lanka

Informativo
Capas

Difusão Do Dharma Budista No Tibet – Bhikkhu Ngadup Paljor

(Transcrito da revista W.F.B. Review, World Fellowship of buddhists, de Março-Abril 1974).

Primitivamente no Tibet a religião era o Bönpo. Somente no VII século d.C. foi introduzido o budismo neste país. Tanto no budismo como em artes, literatura etc., foi a Índia a principal responsável pela difusão. O 32° rei do Tibet, Sron-Tsan-Gan-Po, foi convertido ao budismo por influência de suas rainhas, uma da China e outra do Nepal, e por sua iniciativa se propagou o budismo pelo país. Assim mandou vários discípulos, chefiados por Thom-Me-Sam-Bho-Ta à Índia, para estudar o sânscrito, e a Doutrina budista, mas por causa da grande diferença de clima, morreram todos menos o Sam-Bho-Ta. Após se aperfeiçoar no sânscrito e nas escrituras, Sam-Bho-Ta voltou ao Tibet criando um novo alfabeto. Essa foi a primeira tentativa de estabelecer um alfabeto no Tibet e foi bem sucedida. Tem o estilo de um dialeto central indiano e contam 30 consoantes e 4 vogais. Durante essa época o rei, por sua vez, convidava vários estudiosos da Índia e Nepal para ensinar no Tibet. Acariyas Kumara e Brahmanasanharo chegaram da Índia e Silamanju do Nepal. Traduziram vários Sutras e ensinamentos Tântricos.

O próprio rei, depois de ter bastante conhecimentos sobre budismo, também divulgava a Doutrina e o budismo aos poucos começou a crescer cada vez mais.

Assim durante o reino do 37° rei, o budismo já estava bem difundido. O rei mandou muitos estudiosos à Índia para estudar e também convidou muitos mestres indianos para ensinarem no Tibet entre os quais os mais famosos são Padma-Sambhava e Upadhaya Santaraksita. Estes traduziram o Tri-Pitaka por completo, vários Sastras, comentários e muitos livros budistas, estabelecendo várias Viharas (monastérios) para estudo e treinamento.

Durante o reinado do 41° rei, que era filho de uma princesa Chinesa budista devota, continuou a propagação da Doutrina do Mestre Buda. Este rei determinou que cada grupo de sete famílias deveria manter um bikkhu (monge); também construiu mais de mil monastérios. Convidou muitos mestres tibetanos e hindús para fazer revisão nas traduções anteriores. Devido a essas
revisões, as escrituras adquiriram mais clareza e precisão, e o budismo se tornou a religião oficial durante seu reinado.

O 42° rei, era averso ao budismo, fez tudo para destruir os monastérios e as escrituras, perseguia os budistas com crueldade e a Doutrina do Buda quase desapareceu do Tibet. Três dos seguidores de Santaraksita conseguiram fugir para o Tibet Ocidental e outra vez começaram o estabelecimento da ordem monástica, que aos poucos foi progredindo, aumentando o número de monges. Após a morte deste rei que perseguia o budismo, vieram do Tibet Ocidental para o Central dois mestres indianos, e com vinda de outros renasceu o Dharma budista.

Em 1038 Atisa (Dipankarsrijnana) foi convidado ao Tibet; enriqueceu a literatura Tibetana, traduzindo várias obras do sânscrito e dedicando-se inteiramente ao ensino do verdadeiro Dharma. Ajudou na reforma do Sangha (comunidade dos monges) e restabeleceu a verdadeira prática. Foi o renascimento do budismo no Tibet e outra vez o Dhama voltou a brilhar como o “sol entre as nuvens”. Foi, então, uma questão de tempo para que o budismo se tornasse grande, propagando-se cada vez mais. O povo construiu milhares de monastérios e dando muito apoio aos monges. Os três maiores monastérios eram: Drey-pung com quase 8000 monges, o Sera com cerca de 5500 e o Gaden com 3300 monges. Nos menores monastérios havia pelo menos 100 monges residindo. Esses monastérios eram mantidos pelo governo e ajudados pelo povo. Todos os Tibetanos se converteram ao budismo e este ficou sendo a religião oficial do Tibet.

Infelizmente o povo pacífico do Tibet teve de sofrer mais uma vez uma grande tragédia na mão dos comunistas chineses que invadiram o Tibet saqueando e destruindo-o. Os monastérios foram destruídos e as sagradas escrituras queimadas. As condições atuais do Tibet são miseráveis e patéticas.

Os tibetanos que vivem no exílio fazem o possível para preservar e manter as antigas tradições. Um grande esforço vem sendo feito para manter os refugiados em vários países e manter o espírito budista vivo no povo tibetano. Sua Santidade o Dalai Lama fez muito para guiar o povo e continuará sendo o grande líder. Todos os refugiados do Tibet têm a esperança de que em breve o país estara livre dos agressores. Sua Santidade disse: “Com toda a força que os ventos do mal possam soprar, será insuficiente para apagar a chama da Verdade”.

Bhikkhu Ngadup Paljor (Tibet)
Wat Sraket, Bangkok
Tradução de Dr. Carlos Kassab

Registro de Publicação do Lotus

Registro no Ministério da Justiça: n° 1.511 pág. 209/73


Agradecemos ao Sr. Rogel Samuel pelo material fornecido.